A fantástica geração de jovens realizados que incomodam os outros

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Não tem sido fácil crescer, ‘virar adulta’ rodeada de pessoas que insistem em me chamar de criança para tentar me rebaixar. Pode parecer um desabafo, e é mesmo.

Volta e meia me deparo com pessoas mais velhas que não suportam minhas conquistas, simplesmente, porque não conseguiram algumas coisas que eu na minha pouca idade já tenho. Falo isso porque eu sei que para todos os homens da minha família foi um ‘choque’ quando eu apareci em casa montada numa moto, falando para todos que eu tinha tirado a habilitação escondida e dado entrada na minha própria moto: sim, eu fiz isso. E me orgulho muito!

Na época, todas as mulheres ao meu redor se espantaram, mas ficaram felizes. Me questionavam o tempo todo: “É muito difícil, Marcelle? Será que eu consigo?”. Enquanto isso, a maioria dos homens, jovens e mais velhos, insistiam que aquilo não era brinquedo, que o trânsito é perigoso.

Preocupações a parte, comecei a notar que no fundo, no funco, tinha um ‘tom’ de inveja, não pela moto em si, mas pela minha atitude. É que os homens da minha família ganharam suas primeiras motos quando fizeram aniversário, não precisaram correr atrás de nada e, como eu sabia que não teria a mesma sorte, mas, também queria ter a minha moto, resolvi que daria um jeito. Senti na pele a responsabilidade de ter um veículo próprio, ter que manter o financiamento, gasolina, revisões e sinto muito prazer em poder afirmar que fui independente o suficiente para fazer tudo sozinha aos 21 anos. Foi uma grande experiência, tanto que quando eu chego numa reunião com empresários mais velhos, pessoas bem sucedidas no mercado, eu sempre quebro o gelo dizendo: ‘Eu ando de moto’. Sim, isso faz as pessoas te olharem com outros olhos, portanto, tenha algo para quebrar  seu gelo também. É uma questão de sobrevivência: é a lei da selva.

Mas, porque eu comecei a falar sobre isso?!

Bom, porque perceber que algumas pessoas mais velhas do que eu, sentiam-se incomodadas por eu ter minha ‘motinha’, mesmo sendo novinha, me fez prestar atenção que no mercado de trabalho, você também vai perceber que muita gente vai ter inveja do seu potencial, e elas não vão associar que seu mérito é resultado do seu esforço, elas simplesmente não vão gostar de você e ponto final.

É comum você ver alguém que já está há anos na empresa, torcendo o nariz para aquele estagiário que mal acabou de entrar. E sabe porquê?

Porque certamente, todos já perceberam que esse novo estagiário tem grandes chances de se dar bem, que é uma pessoa esforçada, que tem boas ideias, conhece as novidades tecnológicas, tem energia renovada para a empresa e, enquanto alguns vão adorar isso, outros vão odiar. E o que a gente faz numa situação dessas?

Bom, encontrar um ambiente 100% paz e amor para trabalhar não é fácil, eu já passei por cada escritório terrível, antes de me encontrar na situação que estou. Mas eu persisti, ok?!

Chegou uma época que eu ia em duas entrevistas por semana até encontrar um lugar bacana que eu pudesse me adaptar, que eu pudesse crescer. Então, minha dica é pesar na balança se o ‘copo’ está mais cheio do que vazio. Pode ser que você tenha um colega de trabalho bem chato, mas por outro lado o restante da equipe pode ser entrosada, e aí, valerá a pena continuar no seu caminho.

Mas, se você for bom mesmo, e eu torço para que seja, vá aprendendo: você incomodará muita gente por aí.

Para finalizar meu pensamento de hoje, deixo um textinho bem bacana que eu achei na web e que fala justamente sobre isso que eu escrevi.

Um beijo, um queijo. Até a próxima!

____________

A serpente e o vaga-lume

Conta-se que uma serpente começou a perseguir um vaga-lume.

Fugiu um dia e ela não desistia, dois dias e nada.
No terceiro dia, já sem forças, o vaga-lume parou e disse à cobra:

Posso lhe fazer três perguntas?

– Pertenço à tua cadeia alimentar?
– Não.
– Eu te fiz algum mal?
– Não.
– Então, por que você quer acabar comigo?
E a serpente responde:
– Porque não suporto ver você brilhar…

Marcelle de Oliveira

Marcelle de Oliveira

Marcelle de Oliveira. 24 anos, carioca. Analista de Marketing e Produtora de Conteúdo. Tecnólogo em Web Design pela Rede MV1. Jornalista. Graduada em Publicidade e Propaganda pela UCB. >> Sigam-me os bons: @marcelle.deoliveira

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