O sexismo por trás da publicidade brasileira

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O sexismo nas produções de propaganda e publicidade brasileiras sempre foi (e ainda é) bastante presente, assim como em diversos outros países

No Brasil, a violência contra a mulher só passou a ser punida em 2006, com a criação da Lei Maria da Penha. Infelizmente, ela ainda persiste.

O Brasil é o 5º país que mais mata mulheres no mundo; acredita-se que ocorrem cerca de 13 assassinatos de mulheres por dia.

Também há pesquisas que apontam que 3 em cada 5 mulheres já sofreram violência doméstica. As denúncias feitas através do número 180, central de atendimento específica para receber denúncias de violência de gênero, giram em torno de uma a cada 7 minutos.

Além disso, cerca de 50% das mortes violentas de mulheres são cometidas por familiares, sendo 33,2% por parceiros ou ex-parceiros.

Obviamente, essa violência não é um fato tão recente assim, pelos registros do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), entre 1980 e 2013 (as informações mais recentes constam deste ano), 106.093 mulheres.

Como o sexismo, que para nós é cultural, reverbera na mídia?

Indiscriminadamente, ideais machistas são propagados livremente na TV, em propagandas, novelas e filmes que colocam as mulheres em papel de submissão e as objetifica.

Um estudo recente da Heads Propaganda concluiu que a publicidade no Brasil não reflete sua diversidade de raça e gênero em uma análise de 3 mil filmes publicitários, descobriu-se que 80% dos protagonistas dos comerciais são brancos, 26% reforçam estereótipos sobre homens e mulheres e 74% não contribuem para a equidade de gênero.

Basta apenas assistir à TV por alguns minutos para que isso seja percebido. Muitos dos estereótipos reproduzidos hoje, entretanto, são os mesmos que eram reproduzidos décadas atrás.

O mundo está evoluindo constantemente e a publicidade não pode ficar parada no tempo. Até que ponto o conteúdo veiculado nos meios de comunicação reforça e torna certas atividades mais aceitáveis diante da sociedade?

Tal pergunta deve ser feita, principalmente antes de produzir um conteúdo ofensivo, preconceituoso ou nocivo, que possa vir a ter uma influência negativa no público que vai receber a mensagem.

“Mas a publicidade não está influenciando o público, apenas refletindo seus pensamentos”

De acordo com o próprio Código de Ética dos Profissionais de Propaganda, “a propaganda é a técnica de criar opinião pública favorável a um determinado produto, serviço, instituição ou ideia, visando a orientar o comportamento humano das massas num determinado sentido”.

Ou seja, o conteúdo veiculado procura criar uma opinião a respeito de algo e pode sim contribuir com a criação de um imaginário negativo na sociedade, dependendo do conteúdo e da maneira como ele é exibido.

Nos dias de hoje, o conteúdo veiculado nos meios de comunicação aborda a presença feminina com uma visão simplista e sexista, na maioria das vezes, tratando as mulheres como se já houvessem conquistado todos os seus direitos ou simplesmente tratam o movimento feminista com descaso e veiculam conteúdo machista e misógino, como mostrado nos anúncios.

Muitos profissionais da área de comunicação continuam promovendo conteúdo machista, sexista e misógino, constantemente fazendo apologia a situações de assédio sexual, ao sexismo e à cultura do estupro.

Tais produções mostram essas atitudes como aceitáveis e são completamente antiéticas, pois ignoram os direitos das mulheres como seres humanos.

Além de conscientizar sobre os problemas existentes na sociedade, é importante tomar cuidado para não reforçar estereótipos. Muitas propagandas, filmes etc reforçam estereótipos de gênero e não contribuem de maneira alguma para promover a igualdade.

Em pleno século XXI, chega a ser vergonhoso que tais conteúdos continuem sendo produzidos, uma vez que já existem estudos em âmbito acadêmico acerca de gênero e sexo e que negam os estereótipos construídos socialmente.

Existe mais regulamentação na área?

Infelizmente, a regulamentação ainda é bem fraca no Brasil, ao contrário de outros países.

O único estado que tem uma lei proibindo propagandas sexistas é o Rio de Janeiro, que prevê uma multa de até R$1,3 milhões proposta da bancada feminina da Assembleia Legislativa do Rio.

Ainda de acordo com o Código de Ética dos Profissionais de Propaganda, “a publicidade deve ser livre de toda forma de discriminação, seja de gênero, opção sexual, cor, raça ou condição econômica, devendo ser compromisso do publicitário atuar de forma a não constranger ou humilhar aos seus semelhantes com o produto do seu trabalho ou com atitudes individuais ou corporativas das quais participe”.

Além disso, “condenam, ainda, pelos danos que causam às pessoas e às empresas nas quais exercem atividade, todas as formas de assédio moral e sexual, recomendando que todos mantenham-se atentos na defesa dos direitos de crianças, adolescentes e de todas as minorias”.

Ou seja, conteúdo sexista e discriminatório, que faz apologia à violência contra a mulher, é, de fato, antiético.

Quando comprovado o teor machista e ofensivo da campanha, o Conar pode suspender a peça do mercado, mas o tema não consta no regimento do Conselho.

Podemos transformar a comunicação atual?

Como profissionais de comunicação, formadores de opinião e produtores de conteúdo, que na maioria das vezes é veiculado publicamente, somos nós que temos o poder de transformar a comunicação.

Devemos nos atentar para evitar a todo custo a produção de conteúdo sexista e preconceituoso, que possa influenciar de qualquer forma comportamentos que agravem a situação atual da mulher na sociedade.

É importante que, através da comunicação, os profissionais respeitem os direitos humanos e contribuam para que haja uma maior representatividade nos meios de comunicação.

Amanda Pereira Santos

Amanda Pereira Santos

Publicitária e Pós-Graduanda em Influência Digital, tem um Nanodegree em Marketing Digital, uma specialization em Creative Writing certificada pela Wesleyan University e uma formação em Fashion Business. Atualmente, trabalha principalmente com produção de conteúdo e redação publicitária.

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