as dores e delícias de fazer uma transição profissional

Transição de carreira: entenda as dores e delícias desse processo

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O tema de hoje aborda um assunto que permeia a vida de muitas pessoas: a transição de carreira.

Um pouco polêmica e algumas vezes dolorosa, as mudanças profissionais que fazemos ao longo da vida são realmente muito importantes, mas também podem ser bem complexas.

Isso porque elas costumam envolver diversos fatores diferentes, tanto emocionais quanto racionais.

Quando penso na minha primeira transição de carreira, me lembro claramente da mistura de sentimentos complexos que vivenciei e das dúvidas completamente normais.

Vai dar certo? O que devo fazer? Com quem devo falar? Como chegarei lá?

Após completar o processo (o que demorou em torno de 1 ano), consegui respirar aliviada e olhar para o passado com uma outra postura.

O novo universo profissional que tinha se aberto diante de mim trouxe reflexões valiosas que, com certeza, valem para todas as pessoas que estão passando ou passarão pelo processo em algum momento da vida.

Transição de carreira: um momento muito pessoal

Sou publicitária por formação. Trabalhei por alguns anos em agências de publicidade na área de planejamento estratégico. Experimentei um pouco de tudo: agências grandes, pequenas e trabalhei com contas locais e globais.

Aos poucos fui sentindo que faltava algo no meu dia a dia e que a essência das agências não era compatível com a minha. Não conseguia enxergar significado no produto final do meu trabalho.

Mesmo assim, não sabia muito bem o que poderia fazer sem ser aquilo. Trabalhar em grandes empresas na área de marketing? Não. Trabalhar em consultorias? Não.

Em alguns momentos, me sentia completamente presa em um labirinto.

Pressão, dúvidas e ansiedade: tudo junto e misturado

A pressão é outro fator que atrapalha muito esse processo. Além de não sabermos direito que rumo tomar, nos sentimos pressionados pela sociedade. Ter uma inteligência emocional bem desenvolvida ajuda muito nessas transições.

Aquela sensação de que precisamos saber logo se vamos para a direita ou esquerda. De que precisamos ser bem sucedidos rapidamente. De que não podemos errar e voltar atrás. De que não devemos decepcionar os nossos pais. Tudo isso faz esse momento se tornar ainda mais difícil.

Passei muito tempo conversando com pessoas diferentes e refletindo sobre as inúmeras possibilidades que existiam. Não queria me deixar levar pela pressão e dar um passo errado. Essa é uma das partes mais difíceis de uma transição de carreira: entender as diferentes vertentes de atuação que existem dentro do que você quer fazer.

Demorei um pouco para encontrar o terceiro setor e de fato entender como ele funciona. Ainda estou aprendendo um pouquinho a cada dia que passa, mas achei um caminho que já faz muito mais sentido para mim do que o anterior que estava trilhando.

Leia também: Entenda por que você não precisa querer ser CEO aos 30 anos

Foi um processo árduo e cheio de questionamentos, mas enfim saí das agências de publicidade e concretizei uma transição para o terceiro setor na área de educação. Finalmente senti na pele o que era trabalhar por algo que não visava o lucro e sim melhorias sociais. Foi libertador.

É incrível saber que existem sim pessoas dispostas a se dedicarem uma vida inteira para uma organização sem fins lucrativos, onde a ganância não tem vez – coisa que era tão rotineira na minha vida de publicitária em agências.

Hoje, quando olho para trás, enxergo inúmeros aprendizados que vieram com essa transição.

1. Toda experiência profissional traz um aprendizado

Consigo agradecer mais pelas experiências anteriores que tive, que me ensinaram tanto tecnicamente e sobre como funciona o mercado. Há uma grande diferença entre o mercado em si e o terceiro setor que eu desconhecia até então.

Além disso, foram essas primeiras experiências que me fizeram entender um pouco sobre o que eu queria e não queria para mim profissionalmente.

Afinal, só podemos afirmar que não gostamos de algo quando realmente experimentamos. E acreditem, experimentei as agências por um bom tempo.

2. Não existe emprego dos sonhos

Entendi que não existem lugares perfeitos para trabalhar.

O terceiro setor está longe de ser um mar de rosas e trabalhar com causas sociais é um desafio diário enorme (às vezes, desconfio que seja mais desafiador do que nas agências).

Há falta de recursos básicos, a remuneração é mais baixa se comparada com o mercado e, muita vezes, falta conhecimento técnico.

Todo lugar tem seu lado ruim, né? Não adianta se iludir e achar que irá encontrar um emprego perfeito, pois isso só gera mais desapontamento.

3. Transições de carreira continuarão acontecendo ao longo da sua vida

O aprendizado mais importante que toda essa movimentação me proporcionou foi entender que transições são normais e fazem parte da vida.

Por muito tempo achei que eu era uma anomalia, pois meu amigos pareciam todos plenos nas multinacionais ou agências de publicidade. Enquanto isso, sentia que algo estava errado dentro de mim.

Hoje, vejo muitos deles infelizes e insatisfeitos, largando tudo para fazer outra faculdade ou em busca de outros formatos de empresas. Agora sei que eu não era a única.

Cada um tem um tempo de descoberta e reflexão. Às vezes, tenho plena convicção de que o meu despertar simplesmente veio mais rápido do que o das pessoas ao meu redor.

As mudanças fazem parte do fluxo natural da vida

O resumo de toda a história é que fazer transições de carreira nunca será fácil. Exige muitos questionamentos e persistência. Nem sempre tudo acontece de uma hora para a outra e, muitas vezes, precisamos primeiro entender o que de fato queremos para nós.

Hoje, enxergo as transições de carreira como um fluxo natural da vida, no qual vamos nos renovando, remodelando e criando novas prioridades. Como consequência de tudo isso, queremos explorar outros ares e buscar algo que esteja mais alinhado àquilo que acreditamos e somos.

Por isso, sempre que sentir medo ou achar que é tarde demais para mudar o rumo da sua vida, se lembre de pessoas inspiradoras, como Tomie Ohtake, que só começou a pintar aos 40 anos e se tornou uma das maiores referências na sua área.

Por essas e outras que desejo muita coragem para aqueles que sentem necessidade de fazer uma transição profissional. Não será fácil nem simples, mas a sensação de que você deu mais um passo em direção à sua essência é extremamente gratificante e faz todo o processo valer a pena. 

Foto: Unsplash

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Bruna Cosenza

Bruna Cosenza

Bruna é produtora de conteúdo, criadora do Para Preencher e autora do romance "Lola & Benjamin". Acredita que as palavras têm poder próprio e são capazes de transformar, inspirar e libertar.

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