Crítica: Agora tudo é design

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Particularmente me sinto enjoado em ver tanto do mesmo, como se o comum me embrulhasse o estômago, ou como se aquela antiga música desconhecida que eu gostava tanto, tivesse virado um hit porco do verão, mas está é só a minha opinião…

Será que era o que queríamos? Se por um lado a disseminação do termo e seus sentidos ramificados mostraram a importância que o design realmente tem no mundo da publicidade, propaganda, negócios e “multiversos” de utilização. Por outro, nós designers, estamos nos tornando os novos corretores de imóveis.

Mas qual é a relação? Há algum tempo tivemos a chamada bolha imobiliária, o boom de preços altos e a escassez de pessoas com poder aquisitivo suficiente para adquirir um bem imóvel. Mas antes desse fenômeno já existiam mais corretores em alguns municípios do que quantidade de transações imobiliárias no país, e isso tudo por causa das promessas, facilidades e boa vida financeira que a profissão traria segundo a irrealidade que algumas “instituições de ensino” promoviam. E é neste cenário vou explanar o quadro atual do design.

Atualmente vemos um crescente interesse por parte dos jovens em ser designer, ou trabalhar na área de comunicação, que se entrelaça nas entrelinhas por diversas vezes com o utilizar das técnicas; seja por falta de opção, ou por veemência em escolher um futuro no que gosta de exercer.

Isso tudo, pasmem, em sua grande maioria é algo impulsionado por vertentes expressamente capitalistas, e que não é de hoje que viram uma fatia do mercado, outrora menosprezada, e resolveram se beneficiar dela. Seria impossível não notar a quantidade desenfreada de cursos livres, técnicos e superiores do ramo sugeridos nas nossas infames timelines diariamente; e agora brotam novas fontes sobre o assunto, sejam em sites novos, blogs, ou colunas em antigos veículos de comunicação. Seria pretensioso da minha parte dizer que é uma certeza, mas acredito que já conheço essa história.

Logo vemos tudo se repetindo, mesmo sendo em outro setor: pessoas iludidas com as promessas, facilidades e ideia de boa vida financeira ilusoriamente embutida na profissão. Atualmente já temos mais designers, publicitários, e pessoas formadas em cursos de comunicação em alguns municípios, do que a quantidade de trabalhos disponíveis no país. Mas isso não significa que todos os formados são influenciados e não genuínos para exercer as profissões, isso só significa que a maioria pode ser.

Mais uma vez, pretensiosamente, ouso em dizer que poderemos ter um boom “comunicatório”. Para não ser pessimista, podem existir lados ótimos na situação: uma regularização decente para a nossa profissão, o reconhecimento dos bons profissionais, a valorização do serviço, novas técnicas desenvolvidas… Fatores podem alterar o curso do que pode acontecer, e ainda há muita água para passar neste moinho, mas deixo aqui meu artigo sobre algo a ser pensado: Toda essa influência midiática no ramo, é algo bom ou ruim? E se for os dois, qual tem mais peso?

Caio Régis

Caio Régis

Sou desenvolvedor, programador e designer gráfico. Sinto uma verdadeira devoção por tudo que tem a ver com edição, design e códigos.

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