Marketing

Liberar ou proibir o app Uber no Brasil?

Bruno Castro
Escrito por Bruno Castro

O app Uber vem quebrando paradigmas e causando uma grande transformação no mercado de mobilidade urbana. Proibir seria a solução mais viável?

Ontem (30) vereadores do Estado de São Paulo aceitaram as reivindicações dos taxistas e proibiram a operação do aplicativo Uber.

Os vereadores da câmera aprovaram na tarde de ontem (30), com 48 votos contra, a proibição do app Uber, projeto no qual o vereador Adilson Amadeu deu início.

O projeto de proibição precisa da aprovação do texto em segunda votação antes de ser sancionado pelo prefeito Fernando Haddad.

Se aprovado, quem descumprir a regra pagará uma multa de R$ 1.700, além de ter o veículo apreendido e outras sanções.

Os taxistas afirmam ser uma competição injusta já que os motoristas do Uber não pagam impostos e também não passam por fiscalizações.

O fato é que o avanço tecnológico vem mudando mercados e o comportamento do consumidor, e as organizações que não estiverem aptas para encarar essa nova realidade estarão prestes a desaparecer, assim como aconteceu com a Kodak uma das maiores empresas de fotografia do mundo.

Na Kodak a inovação ocorria no próprio ambiente organizacional. Na época um dos seus funcionários desenvolvia uma máquina onde as fotos seriam vistas em formato digital e não mais revelados em filmes como eram feitas antigamente, mais os executivos e gestores não deram muito importância para o seu colaborador.

O problema é que na Kodak os executivos de terceira linha eram homens de negócio, ou seja, profissionais com habilidades em solucionar problemas á curtos prazos, cortando os custos ao máximo e maximizando as receitas, essa teoria se reforça ao saber que a Kodak era uma empresa de capital aberto na bolsa de valores onde os resultados são apresentados trimestralmente, e que o sucesso é expresso pela receita e pela divisão de dividendos entre os acionistas.

Os executivos estavam tão focados em expandir sua receita que não enxergaram  o avanço da tecnologia invadindo o seu mercado. A pretensão era tanta que mudaram seu core business, e acabaram comprando uma rede de indústria química, para revelação de filmes. Em curto prazo foi um sucesso, mas ao longo prazo um desastre.

Quando a câmera digital chegou ao mercado, os produtos da Kodak estavam obsoletos e os consumidores não tinham mais interesse em adquirir os produtos da organização, levando a empresa á falência.

Podemos dizer que o case da Kodak não se difere muito do caso com que vem acontecendo com os taxistas conservadores do Brasil e dos países europeus.

Os empresários do setor e os próprios taxistas não perceberam a entrada de um potencial concorrente no mercado, menosprezando os conceitos de Michael Porter em relação a sua teoria das 5 forças competitivas.

Mas toda essa revolução não se trata apenas de um aplicativo ou de uma plataforma, mas sim da sociedade como um todo, que vem em uma acelerada mudança de hábitos e de comportamentos, e as empresas que conseguirem enxergar este cenário de mudança poderá sair na frente.

Esta é uma ótima oportunidade de citar uma frase de Clay Shirky, pensador na era digital “Uma das premissas que devemos adotar hoje como básica é a de que verdadeiras revoluções não acontecem quando a sociedade adota novas tecnologias, mas quando ela adota novos comportamentos”.

É exatamente isso que está acontecendo, estamos entrando em um novo ciclo, em uma nova era, onde tudo tende a ser mais sustentável e colaborativo. Citando outra uma frase, porem agora do administrador e publicitário Walter Longo que retrata um cenário colaborativo que estamos vivendo é: “A beleza dos sistemas colaborativos é que eles organizam as contribuições, fazendo com que o todo seja sempre maior que a soma das partes.”, ou seja, enquanto houver demanda haverá oferta, se o Uber entrou no mercado é porque encontrou uma lacuna, uma oportunidade, melhorando um serviço já existente, entregando valor e conquistando a confiança dos consumidores, afinal empreendedorismo é isso, não é verdade?

Toda nova tecnologia gera fascínio e medo, foi assim com o e-commerce (sistema de vendas pela internet).

Todos achavam fascinante a ideia de comprar produtos pela internet, na comodidade de qualquer lugar, em contrapartida tinham medo que seus cartões fossem clonados no ambiente online.

Mas este cenário mudou e só no ano passado o e-commerce brasileiro fechou o ano com um faturamento de R$ 39,5 bilhões, valor 27% maior se comparado com ano de 2013. (Fonte: ABComm).

Assim como aconteceu com o e-commerce está acontecendo com app Uber, mas  será que proibir o avanço tecnológico é a melhor solução?

Nós do marketing com café somos extremamente curiosos e gostaríamos de saber a opinião dos nossos leitores e do público em geral sobre o app Uber.
Afinal, você é contra ou a favor do Uber operar no Brasil?

Responda nossa Enquete.
Se não abrir a enquete, acesse pelo link:  http://goo.gl/forms/WztfFdCC9p

Argumentos tirados do livro Marketing e Comunicação na era Pós Digital, do autor LONGO Walter, editora hsm.

Confira o nosso podcast sobre o Polêmico Uber:

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Sobre o autor

Bruno Castro

Bruno Castro

Bruno Castro, 21 anos, natural de São Paulo.
Técnico em administração de empresas e contato publicitário.
Acadêmico na área de marketing na Universidade Anhembi Morumbi.
Cursos de extensão na Laureate International Universities, Universidade de São Paulo (USP), Senai e Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado Opinião e Mídia.

  • Cara, acabei de ouvir o podcast, muito bom por sinal! Meus parabéns ao Mateus pelo canal e ao Bruno pelo bate papo sobre o app. O que eu acho sobre o Aplicativo e ao serviço prestado…
    Primeiramente já adianto que sou super a favor, o serviço (pelo o que pude perceber no cafecast) é excelente. “Abrir a porta para passageiros”, “motoristas bem vestidos”, “carros confortáveis”, “praticidade”, “exclusividade” por 20 à 30% mais caro que um taxi convencional, vale muito a pena e o lança de água (sensacional, algo sem um alto valor, que agrega E MUITO ao serviço). O que todo consumidor quer nos dias de hoje, é se sentir exclusivo. Estamos vivenciando uma crise econômica no país e vai sobreviver quem for mais criativo e inovador! Hoje a empresa Uber detém um share não muito grande por aqui, mas já cresce a todo vapor no ramo de transportes particulares no Brasil! Amanhã vai “dominar o mundo” como disse o Mateus. Pois são exclusivos e prestam um serviço que no país infelizmente é tratado por indiferença, e sabe porque? Por que não somos um país de primeiro mundo e com essa mentalidade de bosta dos taxistas por exemplo, nunca vamos ser!

  • Muito obrigado Deivid Vieira pelo seu comentário e concordo com você sobre o uber e não esqueça de escuta os nosso próximos podcast, abraços!

  • Obrigado David pelo comentário!

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